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sábado, 28 de maio de 2011

A alma dos diferentes - Artur da Távola



O mundo ainda não aprendeu a lidar com seres humanos diferentes da média.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. Nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas. Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o colégio, onde todos os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em "- Você não está vendo como é que todo mundo faz?"

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo à sua volta se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que: chora onde outros xingam; quer, onde outros cansam; espera, de onde já não vem; sonha, entre realistas; concretiza, entre sonhadores; fala de leite em reunião de bêbados; cria, onde o hábito rotiniza; perde horas em coisas que só ele sabe importantes; diz sempre na hora de calar; cala sempre nas horas erradas; fala de amor no meio da guerra; deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar que de ganhar; aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual; vê mais longe do que o consenso; sente antes dos demais começarem a perceber; se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Jamais mexam com o sentimento de um diferente. Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja consequência com o ato de o conquistar. 

Artur da Távola

sexta-feira, 25 de março de 2011

A LUZ DE CADA UM - Nelson Mandela



"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.


Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.


É a nossa Luz, e não as nossas trevas, que nos apavora.


Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?


Na realidade, quem é você para não ser?


Você é filho do Universo. Se fazer pequeno não ajuda o mundo.


Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.


Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.

Ela não está apenas em um de nós, mas em todos nós.


E conforme deixamos a nossa Luz brilhar, damos inconcientemente permissão para a os outros fazerem o mesmo.


E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente libera os outros.

Nelson Mandela